Uma lição eu tirei, se eu não me der o devido valor, ninguém me dará. E que a verdade está quase sempre estampada nos nossos olhos, mas nosso coração insiste em crer no que não lhe faz sofrer. Por isso há situações inevitáveis, que às vezes parecem cruéis, mas são a única forma de nos tirar a venda dos olhos e do coração. Tamy Henrique Reis Gomes
Mostrando postagens com marcador Injustiça. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Injustiça. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Vocês não escaparão da Justiça Divina
Meu filho escapou da morte, mas ainda tem sequelas, falhas de memória, temperamento transformado, ansiedade exagerada, não sabe os nomes de alguns objetos... Estou de licença do trabalho, vivo grudada nele, não o deixo sozinho por medo de que se esqueça do caminho de casa, vivo na minha casa mas diante de todo esse quadro ainda tem gente que se julga acima do bem e do mal e levanta calúnias, faz acusações descabidas... Sei que não há justiça nesse mundo, mas tenho absoluta certeza da Justiça Divina. Dizem que aqui se faz, aqui se paga. Não estou certa disso. Mas creio num Deus Justo, que não está cego nem surdo. Ele conhece meu core, sabe exatamente o que fiz e o que não fiz. Sabe de que lado está a verdade. Ninguém está acima do bem e do mal. Ninguém tem o direito de abrir a boca e caluniar repetidamente alguém sem provas. Esse povo não tem medo do castigo de Deus? É inaceitável, inacreditável, tamanha maldade. Gente egoísta, mentirosa, aproveitadora, vampiro de ingênuos, suga tudo de bom que a pessoa pode lhe dar e depois chuta como se fosse lixo. Gente cínica, deixa que pessoas se iludam, aproveita-se da bondade alheia e depois abre a boca friamente para dizer que não fez nada. Core de gelo e de pedra. A vida te ensinará. Sentirás a dor que provocaste. Mataste em vida quem te estendeu a mão sempre. Feriste um core que quis te poupar de todas as dores. Atiraste uma pedra no peito de quem te fez tanto bem. Sujaste o nome de quem protegeu o teu nome. Jogaste lama na vida de quem protegeu a tua vida. Nutres ódio pela pessoa que te deu tanto amor. Tentas destruir de todas as formas a pessoa que te ajudou a ser inteiro. Lamentável!!! Covardia não descreve tudo que tens feito, pensado e falado.Cuidado, o feitiço pode virar contra o feiticeiro e quanto maior o coqueiro, maior a queda. A girafa é muito alta mas não sabe cantar. Ignomínia, afronta, injustiça, ingratidão, agressão, abuso, falsidade, dissimulação... Como alguém consegue enganar tanto os outros com o papel de bom moço? A Globo perdeu um grande talento! Estarei no camarote vip para aplaudir o fim do ato!!! Aplaudirei de pé o final da pornochanchada sádica, da opereta de quinta protagonizada pela raposa, dirigida pela mariposa. Verei a derrocada da vulgaridade e da injustiça do alto da minha vitória. Deus me fará justiça!
domingo, 22 de maio de 2011
Professores semialfabetizados prejudicam os alunos
Hoje o erro é chamado de inadequação. Em vez de certo ou errado, os professores são orientados a falar em adequado ou inadequado. Concordo que na sua comunidade as pessoas se comuniquem informalmente, é claro. Mas o aluno vai à escola para dominar a chamada norma de prestígio e é isso que lhe será cobrado em concursos e entrevistas de emprego. Um livro didático não pode legitimar estruturas gramaticais fora da concordância ensinada pela gramática sem que isso enfraqueça os alunos fora dos muros da escola. Outro absurdo é um professor de português cometer erros grosseiros, como: recifence, cilicone, enserida, empeça, estravagante, se não no lugar de 'senão', mas no lugar de ''mais', coro no lugar de 'couro' (tudo isso a mesma pessoa). Copiando Bóris: Isso é uma vergonha!!! Os alunos desse tipo de "professor" serão vítimas de preconceito linguistico, sem dúvida. Defendo a tese de que ninguém tem obrigação de falar e de escrever na tal língua de prestígio a não ser os professores de português, afinal estudam para isso e precisam transmitir aos seus alunos o que a sociedade espera deles. É o mínimo que se espera de alguém que se forma em Letras.
Marcadores:
Injustiça,
Preconceito linguístico,
reflexão
A Rosa, a Raposa e a mariposa
Era uma vez uma rosa solitária que sonhava com um amor de verdade. Sua companhia era a Lua. Eram super unidas e companheiras. Certo dia surge uma bela raposa e começa a se aproximar da florzinha. A lua, mais experiente, logo percebeu a astúcia e a falsidade da criatura. Alertou a amiga rosa. Mas como a paixão é cega e surda, a raposa inverteu o jogo e afastou as duas. Durante muito tempo a florzinha e a raposa viveram uma linda história de amor. Pena que Rosa amou sozinha. Rosa sonhou sozinha com um castelo encantado onde viveria para sempre ao lado da sua amada Raposa. Rosa deu o melhor de si à Raposa. Para seu desencanto, Raposa nunca abriu o core de verdade para ela, mas apenas desfrutava do seu amor, da sua atenção, dos seus cuidados e mimos, enquanto lhe fosse conveniente. Lua dissera que Raposa nunca viveria para sempre com ela, mas Rosa estava cega e tinha esperança de que seu amor derretesse o core de gelo da Raposa. O que Lua mais temia aconteceu. Mariposa surgiu no caminho de Raposa e ela chutou a Rosa como se chuta um traste velho. Sem dó nem piedade, os dois trucidaram a pobre florzinha. Ela agon izou por muito tempo, com uma dor lancinante do peito, quase morreu de decepção e de tristeza... Sua amiga Lua a acolheu e não lançou em rosto a velha frase: Eu avisei!
Mariposa Má era uma oportunista que vivia voando em busca de um tolo que a tirasse do charco. Pousava aqui e ali caçando a presa perfeita. Quando viu a bela Raposa, não hesitou e fez de tudo para envolvê-la. Conseguiu. Raposa tinha um monstro dentro de si e Mariposa Interesseira o despertou. Raposa caiu na armadilha e virou uma fera fria e sanguinária com sede de vingança contra a florzinha que, no desespero, tentou separar os dois, acreditando que morreria sem Raposa. O ódio cegou o entendimento de Raposa e ela esqueceu todo o bem que a florzinha lhe fizera. Argumento de covardes: o mal que me fez, apagou TODO O BEM. Raposa não percebe que se afastou de todos que lhe queriam bem. Não vê que magoou amigos verdadeiros. Esquece que o mundo gira e dá voltas. Esquece que as vulgares mariposas são atraídas pela LUZ. Quando surgir uma luz maior que a sua, a Mariposa Ralé vai voar para ela e nessa hora, as escamas cairão de seus olhos revelando o grande engano que cometeu. Olhará para os lados e só encontrará os 'amigos-lagartixa' que diziam amém para todos os seus enganos. E os verdadeiros amigos? E os que a amavam de verdade? E os que tentaram lhe abrir os olhos? Vamos 'dizer bem alto que a injustiça dói, somos madeira de lei que cupim não rói'. Ingratidão é uma faca afiada que fere as profundezas do core e da alma. Injustiça é a alma gêmea da Ingratidão. Calúnia acompanha as duas. O bom é que um dia as máscaras caem e as verdades aparecem. Um dia a Justiça alcança os que se julgam acima da Lei de Deus e dos homens. Os que se acham perfeitos e donos da verdade, que acham que podem tudo, pisam, machucam, maltratam... Não perdoam mas querem ser perdoados... 'Quem nega luz, um dia na sombra vai morrer'
Mariposa Má era uma oportunista que vivia voando em busca de um tolo que a tirasse do charco. Pousava aqui e ali caçando a presa perfeita. Quando viu a bela Raposa, não hesitou e fez de tudo para envolvê-la. Conseguiu. Raposa tinha um monstro dentro de si e Mariposa Interesseira o despertou. Raposa caiu na armadilha e virou uma fera fria e sanguinária com sede de vingança contra a florzinha que, no desespero, tentou separar os dois, acreditando que morreria sem Raposa. O ódio cegou o entendimento de Raposa e ela esqueceu todo o bem que a florzinha lhe fizera. Argumento de covardes: o mal que me fez, apagou TODO O BEM. Raposa não percebe que se afastou de todos que lhe queriam bem. Não vê que magoou amigos verdadeiros. Esquece que o mundo gira e dá voltas. Esquece que as vulgares mariposas são atraídas pela LUZ. Quando surgir uma luz maior que a sua, a Mariposa Ralé vai voar para ela e nessa hora, as escamas cairão de seus olhos revelando o grande engano que cometeu. Olhará para os lados e só encontrará os 'amigos-lagartixa' que diziam amém para todos os seus enganos. E os verdadeiros amigos? E os que a amavam de verdade? E os que tentaram lhe abrir os olhos? Vamos 'dizer bem alto que a injustiça dói, somos madeira de lei que cupim não rói'. Ingratidão é uma faca afiada que fere as profundezas do core e da alma. Injustiça é a alma gêmea da Ingratidão. Calúnia acompanha as duas. O bom é que um dia as máscaras caem e as verdades aparecem. Um dia a Justiça alcança os que se julgam acima da Lei de Deus e dos homens. Os que se acham perfeitos e donos da verdade, que acham que podem tudo, pisam, machucam, maltratam... Não perdoam mas querem ser perdoados... 'Quem nega luz, um dia na sombra vai morrer'
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Alunos de escola pública respeitam os trabalhos alheios?
Lecionando há quase 23 anos em escola pública, constato uma triste realidade: muitos alunos não respeitam as produções dos colegas. No começo, empolgada, espalhava produções de meus alunos pela sala e, às vezes, pela escola. Na grande maioria das vezes, perda de tempo e decepção certa no dia seguinte. Vândalos, disfarçados de alunos, arrancavam tudo. Mas tem professor que parece que nunca ensinou em escola pública e 'se espanta' com essas coisas, chegando ao cúmulo do absurdo de acusar colegas de trabalho desse ato subterrâneo. Com o tempo, desisti de vez. Sendo estatutária, efetiva, tendo como patrão o Estado e a Prefeitura, nunca fui capacho de ninguém nem obrigada a me submeter a caprichos de burocratas que só fazem criar projetos e exigir o que querem do professor. Graças a Deus, sempre tive autonomia de 'mandar' na minha sala e fazer o que achava melhor para que meus alunos aprendessem e participassem das aulas. Esse é um grande diferencial entre efetivos e contratados. Alguns contratados se destacam, como a professora Sabira, formada em Letras, competente, fala e escreve de acordo com a chamada norma de prestígio e transmite isso aos seus alunos. Quando tem dúvida, pois é humana, procura alguém que julga mais experiente e/ou consulta livros e gramáticas. Comportamento impecável no local de trabalho, respeitando os colegas e os alunos, dando sempre o melhor de si e excedendo suas obrigações. Infelizmente, o tempo de contrato terminou e os alunos perderam uma professora séria, comprometida, eficiente, inteligente, competente na sua área, fala e escrita correta, amorosa, pacifista, justa, grata, compreensiva, amiga de verdade. Enquanto isso, gente incompetente, descomprometida, vulgar, rancorosa, ignorante, dissimulada, intrigante, caluniadora, fraca de feições e de inteligência, continua renovando contratos, disseminando erros crassos, atentando contra a língua portuguesa, sem dó nem piedade, prejudicando os pobres alunos, tão carentes de se apropriar da língua de prestígio para ter maiores chances no mercado de trabalho. Ética, moral e eficiência precisam estar presentes na avaliação dos 'títulos' que permitem a essa gentinha entrar pela janela no serviço público, baixando ainda mais o nível, que já não é dos melhores, e sujando a imagem de professores, educadores de verdade. Com a palavra a Fundação Roberto Marinho e a Secretaria de Educação!!!
quinta-feira, 19 de maio de 2011
A humanidade não habita o coração de todos os humanos...
Juiz nega Justiça Gratuita para garoto, mas desembargador reverte a decisão
Redação 24 Horas News
Decisão do desembargador José Luiz Palma Bisson, do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferida num Recurso de Agravo de Instrumento ajuizado contra despacho de um Magistrado da cidade de Marília (SP), que negou os benefícios da Justiça Gratuita a um menor, filho de um marceneiro que morreu depois de ser atropelado por uma motocicleta. O menor ajuizou uma ação de indenização contra o causador do acidente pedindo pensão de um salário mínimo mais danos morais decorrentes do falecimento do pai.Por não ter condições financeiras para pagar custas do processo o menor pediu a gratuidade prevista na Lei 1060/50. O Juiz, no entanto, negou-lhe o direito dizendo não ter apresentado prova de pobreza e, também, por estar representado no processo por "advogado particular".
A decisão proferida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a partir do voto do desembargador Palma Bisson é daquelas que merecem ser comentadas, guardadas e relidas diariamente por todos os que militam no Judiciário.
Transcrevo a íntegra do voto:
“É o relatório. Que sorte a sua, menino, depois do azar de perder o pai e ter sido vitimado por um filho de coração duro - ou sem ele -, com o indeferimento da gratuidade que você perseguia. Um dedo de sorte apenas, é verdade, mas de sorte rara, que a loteria do distribuidor, perversa por natureza, não costuma proporcionar. Fez caber a mim, com efeito, filho de marceneiro como você, a missão de reavaliar a sua fortuna.
Aquela para mim maior, aliás, pelo meu pai - por Deus ainda vivente e trabalhador - legada, olha-me agora. É uma plaina manual feita por ele em paubrasil, e que, aparentemente enfeitando o meu gabinete de trabalho, a rigor diuturnamente avisa quem sou, de onde vim e com que cuidado extremo, cuidado de artesão marceneiro, devo tratar as pessoas que me vêm a julgamento disfarçados de autos processuais, tantos são os que nestes vêem apenas papel repetido. É uma plaina que faz lembrar, sobretudo, meus caros dias de menino, em que trabalhei com meu pai e tantos outros marceneiros como ele, derretendo cola coqueiro - que nem existe mais - num velho fogão a gravetos que nunca faltavam na oficina de marcenaria em que cresci; fogão cheiroso da queima da madeira e do pão com manteiga, ali tostado no paralelo da faina menina.
Desde esses dias, que você menino desafortunadamente não terá, eu hauri a certeza de que os marceneiros não são ricos não, de dinheiro ao menos. São os marceneiros nesta Terra até hoje, menino saiba, como aquele José, pai do menino Deus, que até o julgador singular deveria saber quem é.
O seu pai, menino, desses marceneiros era. Foi atropelado na volta a pé do trabalho, o que, nesses dias em que qualquer um é motorizado, já é sinal de pobreza bastante. E se tornava para descansar em casa posta no Conjunto Habitacional Monte Castelo, no castelo somente em nome habitava, sinal de pobreza exuberante.
Claro como a luz, igualmente, é o fato de que você, menino, no pedir pensão de apenas um salário mínimo, pede não mais que para comer. Logo, para quem quer e consegue ver nas aplainadas entrelinhas da sua vida, o que você nela tem de sobra, menino, é a fome não saciada dos pobres.
Por conseguinte um deles é, e não deixa de sê-lo, saiba mais uma vez, nem por estar contando com defensor particular. O ser filho de marceneiro me ensinou inclusive a não ver nesse detalhe um sinal de riqueza do cliente; antes e ao revés a nele divisar um gesto de pureza do causídico. Tantas, deveras, foram as causas pobres que patrocinei quando advogava, em troca quase sempre de nada, ou, em certa feita, como me lembro com a boca cheia d'água, de um prato de alvas balas de coco, verba honorária em riqueza jamais superada pelo lúdico e inesquecível prazer que me proporcionou.
Ademais, onde está escrito que pobre que se preza deve procurar somente os advogados dos pobres para defendê-lo? Quiçá no livro grosso dos preconceitos...
Enfim, menino, tudo isso é para dizer que você merece sim a gratuidade, em razão da pobreza que, no seu caso, grita a plenos pulmões para quem quer e consegue ouvir.
Fica este seu agravo de instrumento então provido; mantida fica, agora com ares de definitiva, a antecipação da tutela recursal.
É como marceneiro que voto.
JOSÉ LUIZ PALMA BISSON - Relator Sorteado”
Copiei e colei, sem correção, de:
Redação 24 Horas News (http://www.24horasnews.com.br/index.php?mat=368526)
Redação 24 Horas News
É simplesmente emocionante a decisão de um desembargador do Tribunal de Justiça e São Paulo. Um garoto pobre, que perdeu o pai em um acidente de trânsito pediu ajuda da Justiça Gratuita, mas um juiz negou. A negativa por si só já comove, principalmente pela falta de humanidade. Só que, a decisão de um desembargador é ainda muito mais emocionante
Decisão do desembargador José Luiz Palma Bisson, do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferida num Recurso de Agravo de Instrumento ajuizado contra despacho de um Magistrado da cidade de Marília (SP), que negou os benefícios da Justiça Gratuita a um menor, filho de um marceneiro que morreu depois de ser atropelado por uma motocicleta. O menor ajuizou uma ação de indenização contra o causador do acidente pedindo pensão de um salário mínimo mais danos morais decorrentes do falecimento do pai.Por não ter condições financeiras para pagar custas do processo o menor pediu a gratuidade prevista na Lei 1060/50. O Juiz, no entanto, negou-lhe o direito dizendo não ter apresentado prova de pobreza e, também, por estar representado no processo por "advogado particular".
A decisão proferida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a partir do voto do desembargador Palma Bisson é daquelas que merecem ser comentadas, guardadas e relidas diariamente por todos os que militam no Judiciário.
Transcrevo a íntegra do voto:
“É o relatório. Que sorte a sua, menino, depois do azar de perder o pai e ter sido vitimado por um filho de coração duro - ou sem ele -, com o indeferimento da gratuidade que você perseguia. Um dedo de sorte apenas, é verdade, mas de sorte rara, que a loteria do distribuidor, perversa por natureza, não costuma proporcionar. Fez caber a mim, com efeito, filho de marceneiro como você, a missão de reavaliar a sua fortuna.
Aquela para mim maior, aliás, pelo meu pai - por Deus ainda vivente e trabalhador - legada, olha-me agora. É uma plaina manual feita por ele em paubrasil, e que, aparentemente enfeitando o meu gabinete de trabalho, a rigor diuturnamente avisa quem sou, de onde vim e com que cuidado extremo, cuidado de artesão marceneiro, devo tratar as pessoas que me vêm a julgamento disfarçados de autos processuais, tantos são os que nestes vêem apenas papel repetido. É uma plaina que faz lembrar, sobretudo, meus caros dias de menino, em que trabalhei com meu pai e tantos outros marceneiros como ele, derretendo cola coqueiro - que nem existe mais - num velho fogão a gravetos que nunca faltavam na oficina de marcenaria em que cresci; fogão cheiroso da queima da madeira e do pão com manteiga, ali tostado no paralelo da faina menina.
Desde esses dias, que você menino desafortunadamente não terá, eu hauri a certeza de que os marceneiros não são ricos não, de dinheiro ao menos. São os marceneiros nesta Terra até hoje, menino saiba, como aquele José, pai do menino Deus, que até o julgador singular deveria saber quem é.
O seu pai, menino, desses marceneiros era. Foi atropelado na volta a pé do trabalho, o que, nesses dias em que qualquer um é motorizado, já é sinal de pobreza bastante. E se tornava para descansar em casa posta no Conjunto Habitacional Monte Castelo, no castelo somente em nome habitava, sinal de pobreza exuberante.
Claro como a luz, igualmente, é o fato de que você, menino, no pedir pensão de apenas um salário mínimo, pede não mais que para comer. Logo, para quem quer e consegue ver nas aplainadas entrelinhas da sua vida, o que você nela tem de sobra, menino, é a fome não saciada dos pobres.
Por conseguinte um deles é, e não deixa de sê-lo, saiba mais uma vez, nem por estar contando com defensor particular. O ser filho de marceneiro me ensinou inclusive a não ver nesse detalhe um sinal de riqueza do cliente; antes e ao revés a nele divisar um gesto de pureza do causídico. Tantas, deveras, foram as causas pobres que patrocinei quando advogava, em troca quase sempre de nada, ou, em certa feita, como me lembro com a boca cheia d'água, de um prato de alvas balas de coco, verba honorária em riqueza jamais superada pelo lúdico e inesquecível prazer que me proporcionou.
Ademais, onde está escrito que pobre que se preza deve procurar somente os advogados dos pobres para defendê-lo? Quiçá no livro grosso dos preconceitos...
Enfim, menino, tudo isso é para dizer que você merece sim a gratuidade, em razão da pobreza que, no seu caso, grita a plenos pulmões para quem quer e consegue ouvir.
Fica este seu agravo de instrumento então provido; mantida fica, agora com ares de definitiva, a antecipação da tutela recursal.
É como marceneiro que voto.
JOSÉ LUIZ PALMA BISSON - Relator Sorteado”
Copiei e colei, sem correção, de:
Redação 24 Horas News (http://www.24horasnews.com.br/index.php?mat=368526)
Assinar:
Comentários (Atom)